VASO PARA HONRA - UOL Blog

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Sobre a necessidade de aprovação

Agora em março fui pregar num congresso em S. Gonçalo (RJ). Hospedado num hotel de Niterói, lia, no café da manhã, o livro Jesus, o maior líder que já existiu. Num dos tópicos, a autora comenta sobre Jesus: “Ele não dependia da aprovação dos outros”. Na noite anterior jantara com os pastores Gerson e Walério e eles comentavam sobre a necessidade que alguns obreiros têm de aparecer na mídia mundana. E assim negociam convicções em busca de boa imagem, pois a mídia não transige com os que não aceitam sua massificação. Ela busca rendição aos princípios de uma sociedade corrompida que a dirige. Para estar na mídia com destaque é preciso fazer seu jogo e aceitar suas regras.

Lembrei de um adolescente, já hoje homem feito. Conheci-o pelos anos 80, quando trabalhei na capelania de um colégio batista. Passados 23 anos, permito-me a inconfidência. Preguei na sua igreja e ele estava no que chamam, estranhamente, de “grupo de louvor”. Compenetrado, tocando violão. Dirigi uma assembléia do Colégio e o expulsei por mau comportamento. Depois, pelo menos dois professores vieram queixar-se dele a mim. Seu comportamento era péssimo. Eu o via com os colegas, mais velhos, mais altos, fazendo um esforço enorme para ser aceito. Era um garoto carente precisando de aprovação. Na igreja, era bem comportado. Não sei se por convicção. Talvez por necessitar de aprovação. Perguntei-me: “Quem é o verdadeiro garoto?” Talvez nenhum dos dois.
Há pessoas que são incolores e querem agradar a todo mundo. Na igreja procedem como crentes. No trabalho ou nos estudos, para não serem rejeitados, mudam seu figurino.

Há uma dura batalha espiritual em nosso tempo. Não como alguns “batalheiros” a descrevem. Não creio numa batalha espiritual por cidades, prédios, ruas e lugares. Esta concepção me soa mais à “Guerra nas estrelas”. A verdadeira batalha espiritual é pelas mentes e corações dos homens. É uma batalha espiritual que não se ganha por declarações dizendo que tal cidade pertence ao Senhor Jesus ou por reclamá-la para ele. É por influência, por valores, pela infiltração do poder maligno nas estruturas sociais, educação, e artes. A Babilônia destruída no Apocalipse estava cheia de artistas (Ap 18.22). A representação do mal tinha arte. É muita ingenuidade presumir que toda arte é pura. O homem é um Midas às avessas. O que ele toca se transforma em pecado. Temos uma sabedoria humana caída, um comércio caído, cultura caída, artes caídas, e a única verdade absoluta é a da Bíblia, Palavra de Deus. Ela não pode ser negociada nem reinterpretada. E nosso amor por qualquer ramo do saber ou produção humana não pode subordiná-la a este saber ou produção.

A preocupação do cristão não deve ser agradar ao mundo. A preocupação da igreja não deve ser a de tornar-se uma igreja agradável, mas ser uma igreja firme. Anos atrás, surgiu esta discussão, num congresso: “A igreja é amiga do povo ou não?”. Argumentei que esta não devia ser nossa preocupação, mas sim a de ser amigos de Deus. É a Deus que a igreja deve agradar, não à mídia, não a uma cultura corrompida. Não podemos ter corações e mentes divididos. Cada dia fica mais clara a incompatibilidade entre Cristo e Belial.

Na volta a Campinas, li o livro de Lutero Do cativeiro babilônico da igreja. Impressionei-me com o diagnóstico do reformador. Roma colocara a igreja em cativeiro, tirando-lhe a liberdade. Parece-me que muitos cristãos hoje estão procurando o cativeiro, namorando o mundo e submetendo seu credo a ele. Este cativeiro talvez não seja o babilônico, mas o assírio. Não houve retorno e Israel, o Norte, acabou. Negociar e transigir com o mundo é suicídio. Que a igreja se mantenha firme.

Isaltino Gomes Coelho Filho
* Pastor da IB de Cambuí, Campinas (SP) – isaltinogomes@hotmail.com


- Postado por: ROGÉRIO ABARNO às 17h54
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Mundo virtual

        Entrei apressado e com muita fome no restaurante. Escolhi uma
mesa bem  afastada do movimento, pois queria aproveitar os poucos
 minutos de que dispunha naquele dia atribulado, para comer e consertar
alguns bugs de programação de um sistema que estava desenvolvendo,
além de planejar minha viagem de férias que há tempos não sei o que são.
        Pedi um filé de salmão com alcaparras na manteiga, uma salada e
um suco de laranja, afinal de contas fome é fome, mas regime é regime,
 né ?
        Abri meu notebook e levei um susto com aquela voz baixinha
atrás de  mim:
        -Tio, dá um trocado?
        -Não tenho, menino.
        -Só uma moedinha para comprar um pão.
        -Está bem, compro um para você.
        Para variar, minha caixa de entrada está lotada de e-mails.
Fico distraído vendo poesias, as formatações lindas, dando risadas
com as piadas  malucas.
        Ah! Essa música me leva a Londres e a boas lembranças
de tempos idos.
        -Tio, pede para colocar margarina e queijo também.
        Percebo que o menino tinha ficado ali.
        -Ok. Vou pedir, mas depois me deixe trabalhar, estou muito
ocupado,  ta?
        Chega a minha refeição e junto com ela meu constrangimento.
Faço o pedido do menino, e o garçom me pergunta se quero que
 mande o garoto ir embora. Meus  resquícios de consciência, me
impedem de dizer "sim".  Digo que está tudo bem.
        Deixe-o ficar. Que traga o pão e, mais uma refeição descente
para ele.
        Então ele sentou á minha frente e perguntou: 
     -Tio o que está fazendo?
        -Estou lendo uns e-mails.
        -O que são e-mails?
        -São mensagens eletrônicas mandadas por pessoas via Internet
(sabia que ele não ia entender nada, mas, a título de livrar-me de
 maiores  questionários disse):
        -É como se fosse uma carta, só que via Internet.
        -Tio, você tem Internet?
        -Tenho sim, essencial ao mundo de hoje.
        -O que é Internet ?
        -É um local no computador, onde podemos ver e ouvir muitas
coisas,  notícias, músicas, conhecer pessoas, ler, escrever, sonhar,
trabalhar, aprender. Tem  de tudo no mundo virtual.
        -E o que é virtual?
        Resolvo dar uma explicação simplificada, novamente na certeza
de que ele  pouco vai entender e vai me liberar para comer minha
refeição, sem culpas.
        -Virtual é um local que imaginamos, algo que não podemos pegar,
tocar. É lá que criamos um monte de coisas que gostaríamos de fazer.
Criamos  nossas fantasias, transformamos o mundo em quase como
 queríamos que fosse.
        -Legal isso. Gostei!
        -Mocinho, você entendeu  o que é virtual?
        -Sim, também vivo neste mundo virtual.
        -Você tem computador?
        -Não, mas meu mundo também é desse jeito... Virtual. Minha mãe
fica  todo  dia fora, só chega muito tarde, quase não a vejo, eu fico
cuidando do  meu  irmão pequeno que vive chorando de fome e eu dou
 água para ele pensar que é sopa, minha irmã mais velha sai todo dia,
diz que vai vender o corpo, mas não  entendo, pois ela sempre volta
com o corpo, meu pai está na cadeia  há  muito tempo, mas sempre
 imagino nossa família toda junta em casa, muita  comida,  muitos
brinquedos, de natal e eu indo ao colégio para virar medico um  dia.
        - Isso é virtual, não é, tio?
        Fechei meu notebook, não antes que a lágrimas caíssem sobre o
teclado.
        Esperei que o menino terminasse de literalmente "devorar" o
prato dele,  paguei a conta, e dei o troco para o garoto, que me retribuiu
com um dos  mais belos e sinceros sorrisos que já recebi na vida e com
um "Brigado,  tio, você é legal!".
        Ali, naquela instante, tive a maior prova do virtualismo insensato
em  que vivemos todos os dias, enquanto a realidade cruel rodeia de
verdade e fazemos de conta que não percebemos!


        Você, agora, tem duas escolhas...

        1. Enviar esta mensagem aos amigos e amigas ou
        2. Apagá-la, fingindo que não foi por ela tocado.

        Como pode ver, escolhi a nº 1.


- Postado por: ROGÉRIO ABARNO às 17h44
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